Tem muita informação errada circulando sobre varizes. Crenças passadas de geração em geração, conselhos de conhecidos bem-intencionados e até conteúdos incorretos na internet fazem com que muitas pessoas posterguem a avaliação médica, adotem hábitos inadequados ou simplesmente se conformem com uma condição que tem tratamento eficaz.
Este artigo desmonta os mitos mais comuns sobre varizes — com explicações claras sobre o que realmente acontece nas suas veias.
Mitos e verdades sobre varizes: separando o que é real do que é medo
Mito 1: “Varizes são só um problema estético”
Verdade: Varizes são uma doença venosa com consequências funcionais progressivas.
Sim, elas ficam visíveis sob a pele. Mas o problema começa muito antes de qualquer alteração estética: as válvulas das veias deixam de funcionar bem, o sangue se acumula nas pernas e a pressão venosa aumenta. Com o tempo, isso causa dor, peso, inchaço, câimbras noturnas e alterações na pele — como manchas escuras, ressecamento e endurecimento.
Nos casos mais avançados, sem tratamento, podem surgir úlceras venosas — feridas de difícil cicatrização que comprometem seriamente a qualidade de vida. Tratar as varizes como questão apenas visual é o que leva muita gente a buscar ajuda tarde demais.
Mito 2: “Varizes só aparecem em pessoas mais velhas”
Verdade: Varizes podem surgir em qualquer faixa etária — inclusive em jovens de 20 anos.
A predisposição genética é o principal fator de risco, e ela não espera a meia-idade para se manifestar. Jovens que ficam muitas horas em pé ou sentados, mulheres que usam anticoncepcionais hormonais, pessoas com sobrepeso ou que passaram por gravidez precoce — todas têm risco aumentado independentemente da idade.
O envelhecimento agrava o problema porque enfraquece as paredes venosas com o tempo, mas a doença pode estar instalada silenciosamente muito antes disso.

Mito 3: “Se não dói, não precisa tratar”
Verdade: A ausência de dor não significa ausência de doença venosa.
A insuficiência venosa crônica — condição que está na origem das varizes — frequentemente evolui sem dor nos estágios iniciais. O paciente sente peso nas pernas, inchaço leve no fim do dia ou cansaço excessivo, e associa esses sintomas ao trabalho ou ao calor, não à saúde das veias.
Quando a dor aparece, geralmente significa que a doença já avançou para um estágio mais sério. Esperar a dor para buscar avaliação é perder a janela em que o tratamento é mais simples e menos invasivo.
Mito 4: “Varizes voltam sempre depois do tratamento — não adianta tratar”
Verdade: O tratamento elimina as varizes existentes de forma eficaz. Novas varizes podem surgir, mas isso é diferente de recidiva.
Nenhum tratamento elimina a predisposição genética à insuficiência venosa. O que os procedimentos fazem — seja a escleroterapia, o laser ou a cirurgia — é fechar ou remover as veias doentes. As veias tratadas não voltam. O que pode acontecer é que outras veias, com o tempo e os mesmos fatores de risco, desenvolvem o mesmo problema.
Por isso o acompanhamento pós-tratamento e a correção dos hábitos são tão importantes quanto o procedimento em si. Quem mantém atividade física, controla o peso e usa meias de compressão quando indicado tem resultados muito mais duradouros.
Mito 5: “Cirurgia é a única solução para varizes”
Verdade: A maioria das varizes hoje é tratada sem cirurgia, sem internação e com recuperação rápida.
O arsenal terapêutico evoluiu muito nas últimas décadas. Vasinhos e varizes pequenas respondem bem à escleroterapia — injeção de medicamento que fecha a veia sem corte. Varizes de médio e grande calibre podem ser tratadas com o tratamento com espuma, também realizado no consultório. Para varizes maiores, há ainda o laser endovenoso e a microcirurgia com microincisões sem pontos.
A cirurgia tradicional existe e tem indicações precisas, mas está longe de ser a única ou a primeira opção para a maioria dos casos.
Mito 6: “Quem tem varizes não pode praticar exercícios”
Verdade: Exercício é, na maioria dos casos, aliado — não inimigo — das varizes.
A contração dos músculos da panturrilha durante a atividade física funciona como uma bomba que impulsiona o sangue de volta ao coração. Caminhada, natação e ciclismo são especialmente benéficos para quem tem insuficiência venosa.
A ressalva existe para exercícios que aumentam muito a pressão abdominal — como agachamento com cargas muito elevadas — em pacientes com insuficiência venosa já instalada. Nesses casos, a avaliação com o angiologista define o que é seguro para cada perfil.
Mito 7: “Varizes são problema só de mulher”
Verdade: Homens também desenvolvem varizes — e costumam chegar ao tratamento em estágios mais avançados.
As mulheres são mais afetadas pela influência hormonal (gravidez, anticoncepcionais, menopausa) e tendem a buscar avaliação mais cedo, muitas vezes por questões estéticas. Mas a predisposição genética não distingue sexo. Homens que ficam muito tempo em pé, têm sobrepeso ou histórico familiar têm risco equivalente — e como costumam ignorar os sintomas por mais tempo, chegam à consulta com quadros mais graves.
Mito 8: “Posso esperar — varizes não são urgentes”
Verdade: A progressão das varizes é silenciosa e cumulativa. Quanto mais tarde o diagnóstico, mais complexo o tratamento.
As varizes seguem estágios classificados pela medicina vascular. Nos primeiros, o problema se resolve com procedimentos ambulatoriais rápidos. Nos estágios finais — com úlceras, tromboflebite ou trombose venosa profunda — o tratamento exige mais tempo, mais intervenções e mais cuidado pós-procedimento.
“Não está incomodando ainda” não é o critério correto. Pernas que incham, pesam ou cansam antes do fim do dia já estão pedindo avaliação. O eco doppler vascular identifica com precisão em que estágio a doença está — antes que os sintomas se tornem limitantes.
O que é verdade sobre varizes: pontos que todo paciente deveria saber
- Varizes têm tratamento eficaz disponível na maioria dos planos de saúde
- O diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico
- Tratamentos modernos são ambulatoriais, sem internação e com recuperação rápida
- Histórico familiar positivo é indicação para acompanhamento preventivo — mesmo sem sintomas
- Em Brasília-DF, o calor seco agrava os sintomas venosos e acelera a progressão em quem tem predisposição
Perguntas frequentes sobre mitos e verdades das varizes
- Varizes podem causar trombose? Sim, existe relação. A insuficiência venosa crônica favorece a estase sanguínea — o sangue que fica parado nas veias têm maior tendência a coagular. A tromboflebite (inflamação com coágulo em veia superficial) é uma complicação possível das varizes não tratadas. Já a trombose venosa profunda, mais grave, ocorre nas veias mais internas e exige atenção imediata. Por isso o acompanhamento regular com o angiologista é tão importante.
- Alimentação influencia nas varizes? Influencia, mas de forma indireta. Não existe alimento que “cure” ou “crie” varizes. O que a alimentação afeta é o peso corporal e a inflamação sistêmica — dois fatores que agravam a insuficiência venosa. Uma dieta equilibrada, com menos sódio (que favorece retenção de líquidos e inchaço) e mais fibras, contribui para um ambiente vascular mais saudável.
- Varizes na gravidez somem depois do parto? Às vezes, parcialmente. Durante a gestação, o aumento do volume sanguíneo e a pressão do útero sobre as veias pélvicas fazem as varizes aparecerem ou piorarem. Algumas regridem após o parto, especialmente as que surgiram apenas na gravidez. Mas em mulheres com predisposição genética, parte das varizes permanece e pode progredir com gestações seguintes. A avaliação pós-parto é recomendada.
- Meias de compressão curam varizes? Não curam, mas são parte importante do tratamento e da prevenção. As meias de compressão reduzem a pressão nas veias das pernas, aliviam os sintomas e freiam a progressão da doença. Elas não fecham nem eliminam as varizes existentes — para isso, são necessários os procedimentos específicos. Mas usadas corretamente e com a pressão adequada, são aliadas importantes antes, durante e depois do tratamento.
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Atualizado em junho de 2026.
CRM-DF 19664 | RQE Cirurgia Geral 13336 | RQE Cirurgia Vascular 16719.
Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS-DF, 2012).
Residência Médica em Cirurgia Geral — HRG.
Residência Médica em Cirurgia Vascular — HBDF.
Preceptor da Residência em Cirurgia Geral — SES/DF.
Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.
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Conteúdo revisado por
Dr. Eduardo Carvalho Horta Barbosa
Angiologista e Cirurgião Vascular · CRM-DF 19664 · RQE Cirurgia Vascular 16719 · Membro da SBACV
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